Tecnologia

Por que as gigantes da tecnologia estão investindo em fábricas de chips fora da China?

A corrida tecnológica entre China e Estados Unidos ganhou mais um episódio. Pressionada pelo governo norte-americano, a Holanda anunciou mais um pacote de restrições para a venda de tecnologias e maquinários de semicondutores para a China.

Desde meados de 2022, grandes corporações como Intel, TSMC e Samsung divulgaram esforços para mudar a localização de suas fábricas. Como uma alternativa à China, as empresas estão dando preferência a se instalar em outros países da Ásia, como Japão, Taiwan e Coreia do Sul, além de alguns territórios europeus, como França, Alemanha e Polônia.

A migração dessas fábricas, antes localizadas em território chinês, se deu devido ao empenho dos EUA em impedir os avanços tecnológicos da República Popular da China. Através da imposição de sanções, a nação norte-americana está pressionando países e gigantes da tecnologia a cortar relações comerciais com os chineses.

Para entender melhor como este conflito começou e quais são as suas consequências para o mercado internacional, é preciso explicar como a disputa começou.

A guerra dos Chips
Em 2020, a pandemia de covid-19 abalou as cadeias produtivas de semicondutores. Considerando que grande parte das fábricas destes dispositivos estavam concentradas na China, as restrições do lockdown reduziram ou interromperam as produções de chips — diminuindo a quantidade de produtos disponíveis no mercado.

No entanto, enquanto as fábricas estavam produzindo menos, a demanda global por computadores e periféricos crescia de maneira expressiva devido à explosão do home office e do ensino à distância.

Em meio à crise, os Estados Unidos ainda impuseram uma série de restrições para países que se relacionassem financeiramente com a China — sobrecarregando as fábricas localizadas na Coreia do Sul e no Taiwan. Diante deste cenário, o país asiático precisou se reinventar e passou a investir em produtoras nacionais.

As tensões comerciais China vs EUA
A tensão entre as principais potências mundiais não é novidade, mas se intensificou em meados de 2018, com a evolução da tecnologia. Sob a acusação de que a China estaria roubando sua propriedade intelectual, os Estados Unidos decidiram bloquear a importação de produtos e profissionais norte-americanos para a nação chinesa.

Dessa maneira, os EUA estabeleceu sanções a todos os produtos que tivessem tecnologia norte-americana, inclusive aqueles que fossem comercializados por empresas em outros países, impedindo que fizessem parte da cadeia de produção chinesa.

Este é o caso da multinacional holandesa ASML, a maior fornecedora de sistemas de litografia para a indústria de semicondutores no mundo. Pressionados pelo governo norte-americano, a Holanda anunciou novas sanções que irão proibir a venda de maquinários para a China.

As novas regras visam atingir a ASML que possui a RPC como um de seus principais clientes. No último ano, 34% de sua renda veio de acordos com o país comandado por Xi Jinping. Para o CEO da ASML, Peter Wennink, as restrições apenas servem de incentivo para a China intensificar seus esforços em busca da autossuficiência.

Resposta da China
Em contrapartida, nesta segunda-feira (3) a China anunciou que restringirá a exportação de dois metais essenciais para a fabricação de chips a partir de 1º de agosto. O gálio e o germânio são matérias-primas fundamentais para a confecção de uma série de produtos, desde semicondutores de computador a painéis solares.

Ambos os metais são considerados cruciais para a economia da Europa e possuem a China como maior produtora mundial e uma das principais exportadoras. Com esta nova medida, os exportadores deverão solicitar uma “permissão especial do estado” para enviar os produtos para fora da China.

As consequências para o mercado internacional
A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China está interferindo em toda a cadeia global da produção de semicondutores. Enquanto os EUA pressionam outros países para fechar as relações econômicas com Pequim, a nação asiática está dificultando o acesso a materiais fundamentais para a economia mundial.

Além das sanções, a estratégia dos Estados Unidos é transferir as fábricas das empresas para o país de origem, também conhecido como reshoring, através de subsídios federais. Outros países da Ásia e Europa adotaram políticas similares, visando atrair as operações.

No entanto, os custos de produção nos EUA aumenta significativamente o valor desses produtos. Em 2022, o fundador da TSMC disse que o custo de fabricar os chips em solo norte-americano é 50% maior do que no Taiwan.

Diante deste cenário, empresas e governos deverão entrar em acordo para achar um meio-termo que mantenha o interesse das empresas em se instalarem nos Estados Unidos, visto que, o aumento do custo da produção poderá interferir diretamente no preço dos produtos, inflacionando mais ainda o mercado de semicondutores.

Como o Brasil pode se destacar?
O Brasil se tornou uma das novas frentes da guerra entre Estados Unidos e China, sendo disputado entre as duas grandes potências. Nos últimos meses, Washington sinalizou diversas vezes o seu interesse em fomentar o desenvolvimento do mercado tecnológico em terras brasileiras — sob restrições de negócios com o país asiático.

Por outro lado, em sua visita oficial à China, realizada em abril deste ano, o presidente Lula fechou 15 acordos com Xi Jinping para diversos setores de tecnologia — incluindo chips, 5G, internet das coisas (IoT) e mais.

Apesar de não ter problemas diretos com os norte-americanos, atualmente a República Chinesa é a principal parceira econômica do Brasil. Portanto, o atual governo já se posicionou favorável à construção de uma fábrica chinesa de semicondutores em solo brasileiro.

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