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Possibilidades da tecnologia na educação

As discussões sobre tecnologia na educação, os desafios e suas possibilidades já acontecem há alguns anos, mas nunca foram tão debatidas pela sociedade quanto nos dias atuais. Este debate foi potencializado após a pandemia de covid-19 e, mais recentemente, pelo relatório de Monitoramento Global da Educação, publicado pela Unesco (2023), que já inicia seu questionamento no título: “Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?”.

A infoexclusão é um ponto de atenção no relatório da Unesco. Embora o Brasil tenha iniciativas de distribuição de equipamentos de informática nas escolas, estar conectado à internet não indica, necessariamente, estar digitalmente incluído. Além da democratização do acesso e disponibilização de infraestrutura, é necessário o multiletramento.

É função social da escola o desenvolvimento de habilidades que explorem a cultura digital. A inovação em educação não se dará simplesmente com o uso da tecnologia digital. É necessário pensar em metodologias que possibilitem a participação, o protagonismo e a exploração das diferentes linguagens e ampliem as possibilidades de atuação social, política, artística e cultural. O professor não é mais um transmissor de saberes, torna-se mediador no processo de ensino e aprendizagem.

Neste contexto, a visão dicotômica dos smartphones como heróis ou vilões precisa ser discutida. O relatório da Unesco revela que um em cada quatro países já proibiu ou restringiu o uso de smartphones nas salas de aulas, alegando dispersão e prejuízos para a aprendizagem. Além disso, preocupam outras questões éticas, como gravação de aulas ou uso de imagens sem autorização, falta de controle ao que os alunos possam acessar, cyberbullying, exposição a conteúdos inapropriados, acesso a Fake News, dentre outras.

No entanto, simplesmente proibir o uso de smartphones nas escolas segue na contramão do que vislumbramos para a formação dos estudantes nos dias atuais. Eles precisam aprender e evitar o uso nocivo da tecnologia, desenvolvendo noções básicas em favor do seu uso acadêmico e cidadão. A escola, juntamente com a família, tem papel essencial nessa formação que, para além de conteúdos, perpassa por valores e questões éticas e morais.

Enfrentamos na contemporaneidade inúmeros desafios no que se refere à tecnologia aplicada à educação. Entretanto, vislumbramos, a partir do uso ético e criativo da tecnologia educacional, uma potência que não pode ser desconsiderada. A escola deve contribuir para a formação ética e crítica dos estudantes, que são não apenas cidadãos brasileiros, mas cidadãos do mundo, já que exercem, no ciberespaço, a cibercidadania.

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