O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, costuma lembrar que viver mais deixou de ser uma promessa distante para se tornar realidade na maioria das famílias brasileiras, embora viver bem ainda permaneça como o grande desafio das próximas décadas. Essa distinção orienta toda a sua atuação e revela um olhar que enxerga o envelhecimento como fase repleta de possibilidades, e não como simples contagem regressiva.
Acompanhe a leitura e entenda por que decisões aparentemente pequenas constroem futuros mais dignos.
O que realmente significa envelhecer de forma ativa?
A expressão costuma ser reduzida à imagem de um idoso praticando caminhadas, mas seu alcance vai muito além do movimento físico. Envelhecer ativamente envolve manter capacidades funcionais, sustentar relações afetivas e continuar exercendo papéis valorizados dentro da família e da comunidade. Há um equilíbrio delicado entre saúde do corpo, estímulo da mente e sensação de pertencimento, três dimensões que se sustentam mutuamente quando recebem atenção contínua ao longo da vida adulta.
Quando esses elementos atuam em conjunto, o idoso abandona a posição passiva que muitas vezes lhe é imposta e passa a protagonizar suas próprias escolhas. Segundo Yuri Silva Portela, a autonomia, nessa lógica, configura um direito que precisa ser cultivado desde cedo, e não um privilégio reservado a poucos. Hábitos firmados ainda na meia-idade tendem a determinar a qualidade dos anos seguintes, razão pela qual a prevenção ganha protagonismo nas estratégias de saúde voltadas à longevidade.
Quais hábitos preservam a independência ao longo dos anos?
O doutor Yuri Silva Portela demonstra que movimentar-se com regularidade encabeça qualquer lista séria sobre longevidade saudável, já que a manutenção da massa muscular protege contra quedas e sustenta tarefas cotidianas como subir escadas ou carregar compras. A alimentação equilibrada, rica em proteínas e nutrientes específicos, complementa esse cuidado e ajuda a frear processos naturais de desgaste. O acompanhamento médico periódico, longe de ser mera formalidade, permite identificar alterações antes que se transformem em limitações severas.

O estímulo cognitivo merece igual destaque dentro desse conjunto de práticas. Leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades e convívio social funcionam como ginástica para o cérebro, retardando declínios associados à idade. O trabalho conduzido pelo doutor Yuri Silva Portela reforça que mente e corpo caminham juntos, e que negligenciar um deles compromete o resultado do outro ao longo do tempo.
Há ainda a dimensão emocional, frequentemente esquecida nas abordagens tradicionais. Sentir-se útil, manter laços de afeto e preservar a sensação de pertencimento reduzem quadros de depressão e ansiedade comuns nessa etapa. A participação em atividades sociais, culturais e comunitárias também contribui para fortalecer a autoestima e estimular o bem-estar psicológico. A soma desses fatores compõe um retrato muito mais completo do que significa permanecer independente após os sessenta anos, favorecendo uma vida mais equilibrada, ativa e satisfatória ao longo do envelhecimento.
De que forma o cuidado individualizado transforma resultados?
Cada pessoa envelhece de um jeito, carregando histórico genético, condições sociais e trajetória de saúde absolutamente particulares. Por isso, protocolos genéricos costumam falhar quando aplicados sem adaptação. A geriatria moderna defende planos personalizados, que consideram não apenas as doenças presentes, mas também os desejos, as limitações e o contexto familiar de quem recebe o cuidado.
Por fim, o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, destaca que essa personalização ganha contornos ainda mais relevantes em regiões com acesso restrito a serviços de saúde, onde iniciativas como o Humaniza Sertão preenchem lacunas históricas. Levar atendimento qualificado a populações vulneráveis significa garantir que o envelhecimento ativo não fique restrito a quem mora em grandes centros urbanos, ampliando o alcance de práticas que beneficiam a sociedade como um todo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez