Segundo Daniel Mors, empresário especialista em negócios com minérios e presidente fundador da Golden Brasil, uma operação de extração de ouro raramente recupera 100% do metal presente no minério processado. Sempre existe alguma perda ao longo do caminho, seja na etapa física de separação, seja na etapa química de dissolução do metal.
É justamente por isso que a taxa de recuperação, o percentual de ouro efetivamente extraído em relação ao total presente no minério, funciona como um dos indicadores mais importantes para avaliar a qualidade de uma operação. Taxas acima de 90%, mencionadas por fabricantes de equipamentos de ponta do setor, costumam ser tratadas como referência de alto desempenho.
O que significa, na prática, uma taxa de recuperação acima de 90%?
Se um minério contém, por exemplo, 100 gramas de ouro em determinado volume processado, uma taxa de recuperação de 90% significa que 90 gramas foram efetivamente extraídas, enquanto 10 gramas permaneceram perdidas no rejeito. Daniel Mors destaca que essa diferença, embora pareça pequena em percentual, representa um volume financeiro considerável quando aplicada a operações de maior escala.
Grandes mineradoras investem continuamente em estudos e ajustes de processo justamente para elevar esse percentual, mesmo que o ganho pareça marginal à primeira vista. Um aumento de poucos pontos percentuais na recuperação pode representar receita adicional relevante ao longo de um ano inteiro de operação.
Onde costumam ocorrer as maiores perdas de ouro no processo?
As perdas mais significativas costumam se concentrar nas frações mais finas do minério, partículas de ouro tão pequenas que escapam com facilidade dos métodos convencionais de separação física. Daniel Mors pontua que esse tipo de perda é recorrente em operações que negligenciam etapas específicas de refinamento, como moagem adequada ou equipamentos de concentração projetados para captar justamente esse ouro mais fino.
Falhas na etapa de peneiramento também contribuem para esse problema, já que variações na umidade do material ou na taxa de alimentação do equipamento podem comprometer a estratificação correta das partículas por tamanho e densidade.

Por que essa taxa reflete o desempenho de toda a cadeia, não de uma etapa isolada?
Uma taxa de recuperação elevada não é resultado de uma única etapa bem executada, mas do funcionamento coordenado de toda a cadeia de processamento, desde a moagem até a etapa final de recuperação do metal. Uma falha isolada, mesmo em uma etapa aparentemente secundária, pode reduzir o desempenho de todo o processo, independentemente da qualidade das demais fases.
Estudos de mineradoras de grande porte costumam mapear, etapa por etapa, onde exatamente ocorrem as perdas mais expressivas antes de propor qualquer ajuste técnico. Esse tipo de diagnóstico detalhado é o que permite corrigir o ponto certo do processo, em vez de investir recursos em melhorias que não atacam a causa real da perda.
Para Daniel Mors, esse cuidado com o diagnóstico preciso é o que diferencia operações que conseguem elevar sua taxa de recuperação de forma consistente daquelas que fazem ajustes pontuais sem entender de fato onde o ouro está sendo perdido.
O que esse indicador revela sobre a qualidade de uma operação?
Uma taxa de recuperação consistentemente alta funciona como um retrato indireto de toda a engenharia por trás de uma operação mineral, revelando se os equipamentos, o controle de processo e a atenção a detalhes técnicos estão realmente alinhados.
Operações que divulgam esse indicador com transparência e conseguem sustentá-lo ao longo do tempo tendem a inspirar mais confiança do que aquelas que apenas prometem eficiência sem apresentar números verificáveis. No fim, a taxa de recuperação não é apenas um dado técnico isolado: é um retrato de quanto valor uma operação consegue efetivamente transformar em resultado, a partir da mesma quantidade de minério processado.