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Info Jornal Notícias > Blog > Noticias > EUA reformulam lista de tecnologias críticas e dão mais espaço à criptografia pós-quântica
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EUA reformulam lista de tecnologias críticas e dão mais espaço à criptografia pós-quântica

Rebecca Hartvale
Rebecca Hartvale Publicado 20/08/2026
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Nova estratégia dos Estados Unidos reduz de 18 para 14 as grandes áreas consideradas críticas e reforça prioridades como segurança digital, inteligência artificial, semicondutores e tecnologias quânticas.

Contents
Criptografia pós-quântica ganha importânciaLista passa por reorganizaçãoInteligência artificial também muda de focoSemicondutores continuam estratégicosSegurança digital entra em uma nova fasePor que a mudança importa?

Os Estados Unidos atualizaram sua lista de Tecnologias Críticas e Emergentes (Critical and Emerging Technologies — CET), promovendo uma reorganização das áreas consideradas estratégicas para a segurança nacional, competitividade econômica e liderança tecnológica do país. A revisão aparece como parte da nova National Security Science & Technology Strategy, divulgada em agosto de 2026, e reduz de 18 para 14 o número de grandes categorias presentes na relação anterior. (The White House)

Uma das mudanças de maior destaque é a inclusão explícita da criptografia pós-quântica, tecnologia desenvolvida para proteger sistemas digitais contra ataques que poderão ser executados por computadores quânticos suficientemente avançados. Também entraram ou ganharam destaque tecnologias como fotônica integrada, materiais bidimensionais, ligas de alta entropia e sistemas operacionais reforçados contra ataques. A estratégia mostra que Washington pretende concentrar recursos públicos em tecnologias consideradas essenciais para segurança e vantagem estratégica de longo prazo. (The White House)

Criptografia pós-quântica ganha importância

A preocupação está relacionada ao avanço da computação quântica. Os computadores quânticos atuais ainda não possuem capacidade para quebrar os principais sistemas criptográficos usados mundialmente, mas máquinas futuras suficientemente poderosas poderão ameaçar determinados algoritmos de chave pública que hoje protegem comunicações, serviços governamentais, sistemas bancários e diversas operações realizadas pela internet.

Por isso, a estratégia norte-americana não pretende esperar pela chegada de uma máquina capaz de executar esse tipo de ataque. Em junho de 2026, a Casa Branca já havia publicado uma ordem executiva específica para acelerar a proteção do país contra ataques criptográficos avançados, estabelecendo ações relacionadas à transição de sistemas federais para tecnologias resistentes à computação quântica. (The White House)

Essa preocupação também envolve um tipo de ameaça conhecido como “harvest now, decrypt later”: informações criptografadas podem ser coletadas atualmente por agentes maliciosos e armazenadas durante anos na expectativa de que computadores quânticos futuros permitam decifrá-las. Dados governamentais, militares, industriais ou empresariais que precisam permanecer confidenciais por longos períodos são particularmente sensíveis a esse risco.

Lista passa por reorganização

A atualização da lista CET também chama atenção pelas tecnologias que deixaram de aparecer como categorias próprias ou perderam destaque. Entre os exemplos apontados estão data centers, armazenamento por baterias, determinados serviços avançados de computação em nuvem, motores de turbina a gás e tecnologias de realidade aumentada e virtual. (Tom’s Hardware)

Isso não significa necessariamente que essas tecnologias deixaram de ser relevantes para os Estados Unidos. A reorganização indica uma tentativa de direcionar a atuação federal para segmentos nos quais investimentos governamentais em pesquisa, desenvolvimento e segurança podem complementar áreas já amplamente financiadas pela iniciativa privada.

Ao mesmo tempo, tecnologias fundamentais continuam ocupando posições importantes. Inteligência artificial, biotecnologia, tecnologias quânticas, semicondutores, materiais críticos, manufatura avançada e tecnologias nucleares permanecem dentro da estratégia norte-americana para manter liderança científica e tecnológica. (The White House)

Inteligência artificial também muda de foco

A inteligência artificial continua entre as tecnologias consideradas estratégicas, mas a atualização apresenta uma abordagem mais específica para alguns dos desafios relacionados à área. Entre os temas destacados estão robustez contra ataques adversariais e interpretabilidade dos sistemas, substituindo parte da linguagem mais ampla anteriormente utilizada em torno de segurança de IA. (Tom’s Hardware)

Na prática, a mudança acompanha uma transformação no debate sobre inteligência artificial nos Estados Unidos. Além de desenvolver modelos cada vez mais poderosos, o governo busca considerar tecnologias capazes de tornar sistemas de IA mais resistentes a manipulações e permitir melhor compreensão de como determinados modelos chegam às suas respostas e decisões.

Semicondutores continuam estratégicos

Os semicondutores também permanecem fundamentais para a estratégia tecnológica americana. A nova lista incorpora áreas como fotônica integrada e materiais bidimensionais, tecnologias que podem contribuir para futuras gerações de chips, comunicação de alta velocidade e sistemas computacionais especializados. (Tom’s Hardware)

A importância dos chips vai além dos computadores pessoais e smartphones. Semicondutores avançados são componentes essenciais de data centers de inteligência artificial, equipamentos militares, veículos, telecomunicações, sistemas industriais, supercomputadores e infraestrutura científica. Dessa maneira, manter capacidade tecnológica e produtiva nesse setor continua sendo considerado essencial para reduzir dependências externas.

Segurança digital entra em uma nova fase

A inclusão da criptografia pós-quântica ocorre dentro de uma política mais ampla dos Estados Unidos para preparar antecipadamente sua infraestrutura digital. A ordem executiva assinada em junho estabeleceu medidas destinadas a acelerar a migração federal para mecanismos criptográficos capazes de resistir a futuras ameaças quânticas. (The White House)

Essa transição é particularmente complexa porque sistemas criptográficos estão espalhados por praticamente toda a infraestrutura tecnológica moderna. Certificados digitais, autenticação, softwares empresariais, servidores, dispositivos conectados, redes governamentais e sistemas financeiros dependem de diferentes formas de criptografia.

A substituição desses mecanismos não pode ocorrer de uma só vez. Organizações precisam identificar quais algoritmos utilizam, atualizar softwares e equipamentos, testar compatibilidade e implementar novos padrões sem interromper serviços essenciais. É justamente o tempo necessário para realizar essa migração que faz governos e empresas iniciarem os preparativos antes que computadores quânticos capazes de representar uma ameaça concreta estejam disponíveis.

Por que a mudança importa?

A atualização mostra como a competição tecnológica passou a ocupar uma posição central na estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos. Tecnologias como IA, computação quântica, novos materiais e semicondutores não são tratadas apenas como oportunidades comerciais, mas também como componentes da capacidade econômica, científica e estratégica do país. (The White House)

A criptografia pós-quântica é um exemplo particularmente claro dessa mudança. Embora a ameaça de computadores quânticos capazes de quebrar sistemas criptográficos amplamente utilizados ainda não tenha se concretizado, substituir a infraestrutura atual poderá levar anos. Antecipar essa transição reduz o risco de governos e empresas precisarem realizar mudanças emergenciais quando a tecnologia quântica alcançar um estágio mais avançado.

A nova lista de tecnologias críticas, portanto, funciona como um sinal das áreas que Washington considera fundamentais para os próximos anos. Ao colocar criptografia pós-quântica, IA, tecnologias quânticas, semicondutores e novos materiais entre suas prioridades, os Estados Unidos reforçam uma estratégia que combina inovação, segurança digital e competição tecnológica internacional.

Fontes

National Security Science & Technology Strategy — Casa Branca

Ordem Executiva sobre ataques criptográficos avançados — Casa Branca

Análise da atualização da lista de tecnologias críticas — Tom’s Hardware

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