Falta de mão de obra qualificada amplia disputa por profissionais e leva empresas a investir em capacitação, formação de jovens e desenvolvimento interno de talentos
A dificuldade para encontrar profissionais qualificados continua sendo um dos principais desafios do setor de tecnologia no Brasil. Em Santa Catarina, dados divulgados nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, apontam que a escassez de mão de obra chega a 84% na área de tecnologia, cenário que vem pressionando empresas a buscar alternativas para preencher vagas e manter seus planos de crescimento. A situação evidencia uma diferença importante entre a velocidade de expansão das atividades digitais e a disponibilidade de trabalhadores preparados para assumir funções cada vez mais especializadas.
Com a transformação digital avançando em diferentes setores da economia, a procura não está restrita às empresas tradicionalmente ligadas à tecnologia. Indústrias, bancos, varejistas, prestadores de serviços e organizações públicas também passaram a disputar profissionais capazes de trabalhar com desenvolvimento de software, dados, inteligência artificial, computação em nuvem, infraestrutura e segurança cibernética. Essa ampliação da demanda torna a contratação mais competitiva e aumenta a importância de estratégias de formação e retenção.
Empresas investem na formação de novos profissionais
Diante da dificuldade de encontrar candidatos prontos no mercado, empresas catarinenses estão ampliando iniciativas de capacitação e formação de talentos. A estratégia inclui programas direcionados principalmente a jovens e profissionais em início de carreira, criando caminhos para que eles adquiram conhecimentos técnicos e experiência prática antes de assumir posições mais especializadas.
Esse movimento representa uma mudança na forma de contratação. Em vez de depender exclusivamente de profissionais que já possuem todos os requisitos técnicos exigidos para determinada vaga, algumas organizações passaram a participar diretamente da formação da mão de obra. Programas internos, parcerias educacionais, treinamentos e oportunidades de entrada podem ajudar a diminuir a distância entre aquilo que é ensinado e as competências efetivamente demandadas pelas empresas.
Por que faltam profissionais de tecnologia?
A velocidade das mudanças tecnológicas é uma das razões que ajudam a explicar o problema. Novas ferramentas e aplicações surgem rapidamente, enquanto a formação de um profissional especializado exige tempo. A expansão da inteligência artificial generativa, por exemplo, acrescentou novas competências às já tradicionais demandas relacionadas a programação, infraestrutura, análise de dados e segurança digital.
Outro fator é a disseminação da tecnologia por praticamente toda a economia. Atualmente, uma empresa não precisa desenvolver software como atividade principal para precisar de especialistas digitais. Automação industrial, comércio eletrônico, sistemas financeiros, proteção de dados, análise de informações e serviços digitais aumentaram a necessidade de equipes especializadas em organizações de diferentes portes e segmentos.
Formação de jovens ganha importância
O cenário também abre espaço para programas voltados à entrada de jovens no mercado de tecnologia. Ao oferecer capacitação associada à experiência profissional, empresas podem formar trabalhadores de acordo com suas necessidades e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades de ingresso em uma área que continua estratégica para a economia.
Para os profissionais, porém, a formação inicial tende a ser apenas uma etapa. A rápida evolução de áreas como inteligência artificial, ciência de dados, computação em nuvem e cibersegurança exige atualização frequente. Conhecimentos considerados diferenciais há poucos anos podem rapidamente se transformar em requisitos básicos para determinadas funções.
O que isso significa para o setor de tecnologia?
A escassez de profissionais pode limitar projetos de inovação, elevar custos de contratação e aumentar a disputa por trabalhadores experientes. Empresas que não conseguem formar ou reter equipes qualificadas podem enfrentar dificuldades para implantar novas tecnologias ou acelerar processos de digitalização.
Por outro lado, o problema cria oportunidades para universidades, escolas técnicas, empresas e programas de capacitação aproximarem a formação profissional das necessidades do mercado. Com a tecnologia ocupando espaço crescente na economia brasileira, desenvolver novos talentos passa a ser não apenas uma questão de contratação, mas também um elemento importante para sustentar a inovação e a competitividade das empresas nos próximos anos.
Fontes: