Alfredo Moreira Filho, especializado em gestão empresarial à frente do Grupo Valore+, atua em um segmento onde o erro mais caro raramente é de execução. O maior risco de uma consultoria de gestão não está em entregar mal uma solução correta, mas em entregar bem uma solução para o problema errado.
Quando a solução chega antes do diagnóstico
O padrão mais comum de falha em projetos de consultoria não é incompetência técnica; é a chegada com solução pronta antes de entender adequadamente o problema real. O consultor que já sabe a resposta antes de ouvir o cliente tende a interpretar qualquer informação recebida como confirmação do que já havia decidido previamente.
Esse viés de confirmação é especialmente perigoso em consultoria porque o cliente frequentemente não sabe articular com precisão o que está errado. Sabe que algo não funciona, mas raramente consegue distinguir o sintoma da causa. Quando o consultor não faz esse trabalho de separação, trata o sintoma e deixa a causa intacta, e o problema retorna em semanas ou meses com outro rosto.
Por que clientes aceitam diagnóstico superficial?
Clientes contratam consultoria em estado de pressão. Há um problema que está custando dinheiro, gerando conflito ou travando crescimento, e a expectativa natural é por solução rápida. Nesse ponto, Alfredo Moreira Filho explica que o diagnóstico cuidadoso parece atrasar o início da solução, o que cria pressão implícita para que o consultor pule essa etapa e vá direto ao que fazer.
Consultores que cedem a essa pressão entram em um paradoxo: quanto mais rapidamente começam a entregar soluções, maior a chance de estarem resolvendo o problema errado, o que eventualmente gera mais tempo perdido do que o diagnóstico cuidadoso teria exigido desde o início do projeto.
O que um diagnóstico competente exige na prática?
Um diagnóstico de gestão bem feito exige, antes de qualquer recomendação, pelo menos três coisas: conversa com pessoas em diferentes níveis da organização, não apenas com quem contratou o serviço; análise de dados que permitam distinguir percepção de realidade; e disposição para comunicar ao cliente que o problema real pode ser diferente do que ele havia diagnosticado.
O problema declarado pelo cliente é o ponto de partida da investigação, não a conclusão. Em projetos de gestão como os conduzidos pelo Grupo Valore+, a diferença entre os dois define se o projeto vai gerar resultado real ou apenas a aparência temporária de solução.
Por que diagnóstico errado é difícil de perceber no momento?
Uma solução bem implementada para o problema errado pode produzir melhoras visíveis no curto prazo, especialmente se o sintoma que foi tratado era incômodo o suficiente para gerar alívio imediato quando eliminado. Nesses casos, o cliente sente que a consultoria funcionou, e o consultor acredita que entregou resultado, armadilha que Alfredo Moreira Filho aprendeu a evitar ao longo de anos de atuação em projetos de gestão.
O problema retorna meses depois, frequentemente atribuído a novas causas ou a circunstâncias externas, sem que ninguém conecte esse retorno ao diagnóstico inicial que havia identificado o problema de forma incompleta ou imprecisa.
Como distinguir uma consultoria que diagnostica bem?
Uma consultoria que faz diagnóstico competente antes de recomendar soluções costuma apresentar pelo menos um achado que surpreende o cliente, algo que ele não havia percebido ou não havia considerado relevante. Se o diagnóstico confirma completamente o que o cliente já sabia, provavelmente não foi profundo o suficiente para revelar o que estava oculto.
O valor central de uma consultoria de gestão não está nas ferramentas que usa ou nos frameworks que aplica, mas na capacidade de ver com precisão o que o cliente, por estar dentro do problema, frequentemente não consegue enxergar por conta própria. Alfredo Moreira Filho aplica essa perspectiva em cada projeto conduzido pelo Grupo Valore+.