Tiago Schietti, profissional do setor cemiterial e funerário, acompanha um movimento que combina escassez de espaço urbano, exigências ambientais crescentes e inovação tecnológica em uma transformação ainda pouco visível no debate público sobre sustentabilidade. Essa pressão, que já reconfigurou setores como construção civil, energia e transporte, chega também a um segmento menos discutido publicamente nas pautas de ESG: o cemiterial.
Com a expansão urbana acelerada e a escassez de área disponível nas grandes cidades, cemitérios brasileiros enfrentam um dilema que combina questões ambientais, logísticas e culturais. O crescimento constante do número de óbitos no país, hoje próximo de 1,3 milhão por ano, segundo o IBGE, intensifica a pressão sobre um recurso que, por definição, é finito: a terra disponível para sepultamento.
Diante desse cenário, uma pergunta ganha relevância crescente entre gestores do setor: como conciliar a expansão da demanda funerária com práticas ambientalmente responsáveis, em um contexto urbano de espaço cada vez mais escasso?
A cremação realmente reduz a pressão sobre cemitérios já saturados?
A cremação se consolidou como a alternativa mais imediata a esse desafio espacial. Além de evitar a necessidade de renovação periódica de jazigos, a prática reduz a pressão sobre a capacidade física dos cemitérios e tem crescido de forma consistente nos últimos anos, impulsionada também por fatores ambientais que vão além da praticidade.
Ao evitar o uso intensivo de caixões de madeira, cimento e produtos químicos como o formol, a cremação tende a gerar menor impacto ambiental em comparação ao sepultamento tradicional, argumento cada vez mais citado por especialistas do setor e por famílias que avaliam diferentes formas de despedida sob critérios também ecológicos, alude Tiago Schietti.

A tecnologia da aquamação poderia transformar a forma como encaramos a morte e a sustentabilidade?
Entre as inovações que começam a ganhar atenção no mercado brasileiro está a aquamação, também chamada de cremação por hidrólise alcalina, processo que reduz significativamente a emissão de gases na atmosfera em comparação à cremação tradicional. Embora ainda incipiente no Brasil, a tecnologia já é praticada em outros países e representa uma tendência observada de perto por empresas que buscam se posicionar à frente da curva regulatória e ambiental.
Conforme aponta o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Schietti, a discussão sobre sustentabilidade no segmento deixou de ser um diferencial isolado e passou a integrar o planejamento estratégico de empresas que pensam sua operação para as próximas décadas, especialmente diante de uma agenda ambiental global que tende a se intensificar.
Mapeamento digital de lotes reduz desperdício em áreas de sepultamento
Além das soluções ligadas diretamente ao processo de sepultamento, a tecnologia tem contribuído para otimizar o uso do espaço físico disponível. Sistemas de mapeamento digital de lotes e geolocalizadores para localização de túmulos permitem um uso mais eficiente da área dos cemitérios, reduzindo desperdício e facilitando o planejamento de expansão sem necessariamente ampliar a área ocupada.
Conforme apresenta a literatura técnica sobre gestão ambiental cemiterial, essa eficiência no uso do espaço representa também uma forma indireta de sustentabilidade, já que reduz a necessidade de expansão territorial em regiões onde a disponibilidade de terra já é crítica.
Homenagens personalizadas ganham espaço com o uso de QR codes em cemitérios
Tiago Schietti, empresário do segmento de cemitérios e memorialização, destaca o uso de QR codes em lápides como outra frente de inovação que une tecnologia e sustentabilidade, conectando o espaço físico a memoriais digitais com fotos, vídeos e homenagens. Essa tecnologia reduz a necessidade de elementos físicos adicionais, como placas, fotos impressas e objetos decorativos, ao mesmo tempo em que amplia a experiência de homenagem para familiares e amigos distantes geograficamente.
Sob o entendimento de empresários do segmento de cemitérios e memorialização, essa solução dialoga com uma mudança comportamental mais ampla: famílias buscam formas de homenagem mais personalizadas, mas sem ampliar a ocupação física do espaço, equilibrando tradição, individualidade e responsabilidade ambiental.
Esse tipo de iniciativa também reflete uma adaptação maior do setor cemiterial à forma como diferentes gerações se relacionam com a tecnologia. Famílias mais jovens, acostumadas a registrar e compartilhar momentos da vida cotidiana por meio de dispositivos móveis, tendem a enxergar com naturalidade a possibilidade de estender essa lógica ao processo de homenagear quem já partiu, o que ajuda a explicar a adoção crescente desse tipo de solução em cemitérios brasileiros de diferentes portes.
Como a crescente pressão demográfica pode impactar o futuro dos cemitérios?
A combinação entre pressão urbana, conscientização ambiental e avanço tecnológico está moldando um novo perfil de cemitério no Brasil: mais eficiente em uso de espaço, mais consciente em termos de impacto ambiental e mais conectado digitalmente. Esse movimento, ainda em estágio inicial em boa parte do país, tende a se intensificar conforme cresce a pressão demográfica sobre a terra disponível para sepultamento.
Esse processo de transformação, que envolve negócios geridos por empresários como Tiago Schietti, representa um dos exemplos mais concretos de como a agenda ESG está remodelando setores tradicionalmente conservadores em sua forma de operar, em um movimento que deve ganhar ainda mais espaço na pauta ambiental brasileira nos próximos anos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez.