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Info Jornal Notícias > Blog > Tecnologia > Huawei apresenta armazenamento de 64 PB para acelerar grandes sistemas de inteligência artificial
Tecnologia

Huawei apresenta armazenamento de 64 PB para acelerar grandes sistemas de inteligência artificial

Rebecca Hartvale
Rebecca Hartvale Publicado 17/09/2026
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OceanStor M900 foi apresentado na Huawei Connect 2026 como uma camada de memória contextual para grandes clusters de IA; empresa afirma que um único conjunto pode alcançar 64 petabytes de capacidade e 40 TB/s de largura de banda.

Contents
Como funciona a “memória contextual” do OceanStor M900?Huawei promete reduzir latência e ampliar desempenho da inferênciaArmazenamento vira peça estratégica na corrida por grandes sistemas de IA

A Huawei apresentou nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, uma nova infraestrutura de armazenamento desenvolvida especificamente para grandes sistemas de inteligência artificial. Batizado de OceanStor M900 Context Memory Storage, o equipamento foi anunciado durante a Huawei Connect 2026, em Xangai, e foi projetado para trabalhar diretamente com os SuperPoDs utilizados pela companhia em treinamento e, principalmente, inferência de modelos de IA. (Huawei)

A principal característica anunciada é a capacidade. Segundo a Huawei, um único cluster do OceanStor M900 pode fornecer até 64 petabytes de armazenamento para KV cache, uma espécie de memória temporária utilizada pelos modelos durante a geração de respostas. A arquitetura também oferece largura de banda agregada de até 40 TB/s. Esses números são especificações divulgadas pela fabricante e não constituem, por si só, uma comparação independente de desempenho com sistemas concorrentes. (Huawei)

O produto surge em meio a uma mudança importante na infraestrutura de IA. À medida que os modelos passam a trabalhar com contextos maiores, conversas extensas e agentes capazes de executar tarefas durante longos períodos, cresce a quantidade de informações que precisa permanecer rapidamente acessível. Manter tudo apenas na memória dos aceleradores ou na DRAM pode elevar significativamente os custos e limitar a capacidade disponível. (Huawei Enterprise)

A proposta da Huawei é transformar parte do armazenamento em uma extensão dessa memória operacional. Em vez de depender exclusivamente dos componentes mais rápidos e caros, o OceanStor M900 combina diferentes camadas, incluindo SSDs, para manter grandes quantidades de contexto disponíveis aos processadores. A estratégia reforça uma tendência na qual computação, rede e armazenamento passam a ser tratados como partes integradas de um único sistema de IA. (Huawei)

Como funciona a “memória contextual” do OceanStor M900?

Para compreender a função do novo sistema, é necessário entender o chamado KV cache, ou Key-Value cache. Durante a inferência de grandes modelos de linguagem, determinadas informações já processadas são armazenadas para que não precisem ser recalculadas repetidamente. Isso ajuda o modelo a reutilizar o contexto anterior e pode reduzir a quantidade de operações necessárias para produzir novos tokens. (Huawei)

Esse mecanismo ganha importância conforme as janelas de contexto aumentam. A Huawei afirma que modelos atuais já trabalham com contextos superiores a 1 milhão de tokens e que aplicações envolvendo múltiplas interações e tarefas complexas estão fazendo o volume de KV cache crescer rapidamente. O problema é que memória de alta velocidade instalada diretamente nos aceleradores possui capacidade limitada e custo elevado. (Huawei Enterprise)

O OceanStor M900 tenta contornar essa limitação criando uma estrutura de armazenamento em camadas. A tecnologia UnifiedBus conecta componentes de computação, rede e armazenamento e permite que o KV cache seja compartilhado globalmente. A arquitetura estende essa memória dos chips e da DRAM para SSDs, elevando, segundo a Huawei, a capacidade disponível por NPU da escala de gigabytes para terabytes. (Huawei)

Na prática, a ideia é manter as informações mais necessárias próximas dos aceleradores e deslocar outros dados para camadas de maior capacidade. Isso pode ser especialmente relevante para agentes de IA que trabalham durante horas, processam documentos extensos, mantêm históricos longos ou precisam reutilizar informações produzidas em etapas anteriores de uma tarefa.

Huawei promete reduzir latência e ampliar desempenho da inferência

O M900 também utiliza uma arquitetura que integra CPU, controlador de rede e controlador NAND. Segundo a Huawei, essa configuração permite uma conexão direta entre as NPUs dos SuperPoDs e os SSDs, reduzindo etapas intermediárias de encaminhamento e conversão de protocolos. (Huawei)

A fabricante afirma que o desenho reduz a latência de acesso de milissegundos para aproximadamente 60 microssegundos, uma diminuição declarada de 90%. Um único cluster poderia atingir 40 TB/s de largura de banda agregada, desempenho que a empresa diz ser 1,5 vez superior ao de soluções que utiliza como referência. Novamente, essas comparações são resultados apresentados pela Huawei e podem variar conforme configuração e carga de trabalho. (Huawei)

Em cenários típicos de programação com IA avaliados pela companhia, a arquitetura teria dobrado a quantidade de tokens processados pelo cluster de inferência e reduzido pela metade o chamado time to first token, intervalo entre uma solicitação e o início da resposta do modelo. Esses indicadores são particularmente importantes em aplicações nas quais milhares de usuários ou agentes acessam simultaneamente o mesmo conjunto de infraestrutura. (Huawei)

Outra preocupação é a durabilidade dos SSDs. Sistemas utilizados intensamente como cache podem realizar um volume muito elevado de gravações, acelerando o desgaste das unidades. A Huawei afirma ter desenvolvido um mecanismo adaptativo que avalia o ciclo de vida dos dados e decide em qual camada eles devem permanecer, prometendo aumentar em até 16 vezes a resistência dos SSDs em determinados cenários. (Huawei)

Armazenamento vira peça estratégica na corrida por grandes sistemas de IA

O lançamento do M900 faz parte de uma arquitetura muito maior apresentada pela Huawei durante a conferência. A companhia está desenvolvendo SuperPoDs e SuperClusters nos quais processadores, memória, armazenamento e equipamentos de rede são conectados pelo UnifiedBus e operam de forma coordenada. (Huawei)

A Huawei também apresentou o Atlas 960E SuperPoD e uma atualização do TaiShan 950 SuperPoD. De acordo com a empresa, o TaiShan 950 pode reunir até 4.096 nós e disponibilizar um pool unificado de memória de até 256 TB. Já diferentes SuperPoDs podem ser conectados para formar sistemas muito maiores. (Huawei)

Na configuração divulgada durante a Huawei Connect, a nova arquitetura de SuperCluster pode interligar até 512 mil NPUs utilizando uma estrutura Clos de dois níveis e quatro planos. Com uma topologia adicional denominada multi-rail, a empresa afirma que o sistema pode chegar à escala de 1 milhão de NPUs. Nesse ambiente, o M900 funciona como uma das camadas responsáveis por manter grandes quantidades de contexto disponíveis para os processadores. (Huawei)

O lançamento mostra que a competição pela infraestrutura de inteligência artificial está avançando para além dos chips. Processadores continuam sendo fundamentais, mas redes de alta velocidade, memória e armazenamento passam a determinar quanto da capacidade desses aceleradores pode efetivamente ser utilizada. Com o OceanStor M900, a Huawei aposta que armazenar e reutilizar o contexto dos modelos em escala de petabytes será uma das próximas fronteiras dos grandes data centers de IA. (Huawei)

Fontes: Huawei — anúncio oficial do OceanStor M900 · Huawei — infraestrutura apresentada na Huawei Connect 2026 · Huawei — arquitetura Peerium e UnifiedBus · DIGITIMES — OceanStor M900 e infraestrutura de IA

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