Fabricante registra forte crescimento na demanda por processadores personalizados para inteligência artificial e amplia projeções enquanto gigantes de tecnologia intensificam investimentos em data centers e infraestrutura de IA.
A Broadcom reforçou sua posição entre as principais beneficiárias da corrida global pela inteligência artificial. A companhia informou que as vendas de chips destinados à IA mais do que triplicaram no terceiro trimestre fiscal de 2026, alcançando US$ 16,7 bilhões, em meio à forte demanda das grandes empresas de tecnologia por processadores personalizados e equipamentos de rede para data centers.
O crescimento ajudou a Broadcom a registrar receita total de US$ 29,59 bilhões no trimestre, acima dos US$ 29,36 bilhões esperados em média por analistas consultados pela LSEG. O lucro ajustado ficou em US$ 3,32 por ação, também superando a projeção de US$ 3,24.
Mais importante para o mercado, porém, foi a atualização das projeções para inteligência artificial. A Broadcom agora estima aproximadamente US$ 115 bilhões em receita com chips de IA no ano fiscal de 2027, acima da previsão anterior de mais de US$ 100 bilhões. Para 2028, a expectativa da companhia chega a aproximadamente US$ 230 bilhões.
O que está impulsionando a Broadcom?
A expansão está diretamente relacionada aos investimentos bilionários das chamadas hyperscalers e outras grandes empresas em infraestrutura de inteligência artificial. A Broadcom fornece tanto aceleradores personalizados quanto componentes de rede necessários para conectar grandes quantidades de processadores dentro dos centros de dados.
Os pedidos de chips de IA da empresa ultrapassaram US$ 30 bilhões somente no último trimestre, segundo informações divulgadas após os resultados. A companhia também afirmou ter garantido capacidade de fornecimento suficiente para atender à projeção mais elevada para o próximo ano.
Entre os clientes e parceiros associados aos chips personalizados da Broadcom estão grandes nomes da tecnologia, incluindo Google, Meta e OpenAI. Esse modelo permite que grandes empresas desenvolvam processadores mais adaptados às suas próprias cargas de trabalho de inteligência artificial, reduzindo a dependência de soluções padronizadas.
Por que isso importa para o mercado de IA?
O avanço da Broadcom mostra que a expansão da inteligência artificial não está beneficiando apenas fabricantes tradicionais de GPUs. O crescimento dos chips personalizados está criando um segundo mercado bilionário dentro da infraestrutura de IA.
A Nvidia continua sendo a principal referência em aceleradores de inteligência artificial, mas grandes empresas estão buscando diversificar fornecedores e desenvolver arquiteturas próprias. Nesse cenário, a Broadcom ocupa uma posição importante por combinar desenvolvimento de chips personalizados com tecnologias de rede utilizadas em grandes clusters computacionais.
A tendência também demonstra a dimensão dos investimentos necessários para sustentar os novos modelos de IA. O CEO da Broadcom, Hock Tan, indicou que a companhia já possui visibilidade sobre novas implantações de infraestrutura até 2028, envolvendo vários gigawatts de capacidade computacional para clientes do setor.
Nem tudo foi recebido positivamente pelos investidores
Apesar dos números expressivos relacionados à inteligência artificial, a reação do mercado foi cautelosa. A Broadcom projetou aproximadamente US$ 34,8 bilhões de receita total para o quarto trimestre, ligeiramente abaixo dos US$ 35,03 bilhões esperados em média pelos analistas.
Nesta quinta-feira, 3 de setembro, as ações da empresa chegaram a recuar no pré-mercado americano. O movimento evidencia como as expectativas em torno das companhias diretamente ligadas ao boom da inteligência artificial se tornaram elevadas: mesmo um forte crescimento pode não ser suficiente quando determinadas projeções ficam abaixo do esperado.
Isso cria uma situação peculiar para o setor. A demanda por infraestrutura de IA continua avançando rapidamente, mas investidores também querem evidências de que os bilhões de dólares destinados a data centers e processadores resultarão em retornos financeiros sustentáveis.
Broadcom pode ganhar espaço no mercado dominado pela Nvidia?
A estratégia da Broadcom não depende necessariamente de substituir diretamente as GPUs da Nvidia. Seu principal diferencial está na criação de chips personalizados e na infraestrutura de conectividade que permite operar grandes sistemas de inteligência artificial.
Essa especialização ganhou importância porque gigantes de tecnologia procuram arquiteturas próprias para determinadas aplicações. Quanto maior o volume de processamento necessário, maior pode ser o incentivo econômico para desenvolver chips especificamente adaptados às necessidades de cada plataforma.
As projeções da Broadcom indicam que esse mercado pode crescer rapidamente. Se a previsão da companhia se concretizar, a receita de chips de inteligência artificial poderá atingir cerca de US$ 115 bilhões em 2027 e aproximadamente US$ 230 bilhões no ano seguinte.
O que esperar daqui para frente?
Os próximos resultados serão importantes para mostrar se o ritmo atual pode ser sustentado. Além do crescimento da própria Broadcom, investidores acompanharão os investimentos das grandes empresas de tecnologia em data centers, energia, redes e processadores.
Outro ponto será a concorrência. Empresas como Nvidia e Marvell, além dos próprios chips desenvolvidos internamente pelas gigantes de tecnologia, tornam o mercado cada vez mais disputado. A Broadcom precisará transformar sua carteira de pedidos e capacidade contratada em crescimento consistente de receita.
Por enquanto, os números mostram que a corrida pela infraestrutura de inteligência artificial continua movimentando cifras cada vez maiores. A Broadcom saiu de US$ 8,4 bilhões em receita de IA no primeiro trimestre fiscal de 2026 para US$ 16,7 bilhões no terceiro trimestre, consolidando os chips personalizados como um dos negócios centrais da companhia.